TRABALHO DE REPRODUÇÃO, BENS COMUNS E RELAÇÕES DE GÊNERO: A GENEALOGIA DO OPERAISMO FEMMINISTA
Nome: RAFFAELLA LIMONE
Data de publicação: 29/07/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ANNA PIA RUOPPO | Examinador Externo |
| IRENE VIPARELLI | Examinador Externo |
| MARIA CRISTINA LONGO CARDOSO DIAS | Examinador Interno |
| SILVANA DE SOUZA RAMOS | Examinador Externo |
| THANA MARA DE SOUZA | Presidente |
Resumo: A tese a seguir tem como objeto discutir o trabalho de reprodução a partir do trabalho teórico das operaistas italianas, que foram as primeiras a dar vida e expressão à reivindicação pela possibilidade de exigir remuneração pelo trabalho doméstico das
mulheres. O feminismo operaista italiano demonstrou a inseparabilidade das categorias de gênero e classe, concebendo o gênero como uma classe explorada em todas as dimensões, onde a mulher é compelida a vender sua força de trabalho de cuidado através do contrato conjugal. A análise metodologicamente materialista dos anos 1970 evoluiu para uma perspectiva genealógica nos anos 1980. A conclusão do primeiro capítulo aponta para a análise das irmãs Dalla Costa sobre as formas de manifestação do trabalho doméstico e suas raízes socioeconômicas e culturais subjacentes. A tese centra-se então na perspectiva teórica desenvolvida por Silvia Federici e Leopoldina Fortunati a respeito da análise do corpo feminino na transição entre a Idade
Média e a Modernidade, sua transformação em máquina reprodutiva através de um aparato ideológico e repressivo, e a caça às bruxas como expressão histórica dessa transformação exploradas, conectando-as às teorias filosóficas de Descartes e Hobbes e
à figura literária de Caliban em Shakespeare. O operaismo feminista italiano interpreta o “excedente” do corpo não maquínico como correspondente ao trabalho feminino na construção da sociedade capitalista. Assim, através do primeiro e segundo capítulos, o tema do trabalho doméstico feminino é descrito e analisado nessa reflexão filosófica específica, considerada uma pesquisa genealógica sobre o corpo da mulher, sua submissão e exploração da Idade Média à Idade Contemporânea.
Os temas desenvolvidos pelas operaistas no final do século XX abrem questões relativas ao valor da cooperação do ponto de vista do Comum.
