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A Presentificação de Deus na Filosofia de Nietzsche

Nome: WESLEY DE JESUS BARBOSA

Data de publicação: 11/02/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ADILSON FELICIO FEILER Examinador Externo
ANTONIO EDMILSON PASCHOAL Examinador Externo
JORGE LUIZ VIESENTEINER Presidente
OSWALDO GIACÓIA JUNIOR Examinador Externo
ROGÉRIO LOPES Examinador Externo

Resumo: A presente tese de doutorado busca investigar o problema de Deus na filosofia de Nietzsche. Acreditamos que a denominação filosofia ateia é superficial para explicar os apontamentos nietzscheanos sobre os pressupostos metafísicos os quais critica.
Assim, em nossa empreitada, defenderemos que qualquer atribuição substancialista demais ao filósofo, acaba por reduzir o pensamento do alemão e que, verificados os limites de sua análise, constataremos Deus como hipótese, desde que, no âmbito
afirmativo da vida. Para isto, abriremos os trabalhos com O anúncio da morte de Deus. Em seguida, avançaremos para a unidade Nietzsche e o Cristianismo, na qual analisaremos o percurso intelectual de Nietzsche, principalmente sobre as suas
investigações sobre as religiões, desde os seus estudos em Schupforta, com a obra Nietzsche und die Religionen Transkulturelle Perspektiven seines Bildungs- und Denkweges de Johann Figl. Assim como faremos uma leitura e discussão sobre os enigmas deixados em Ecce Homo, um texto auto-bio-gráfico, no sentido de apontar os limites e dificuldades para o seu uso como fonte capaz de rastrear os caminhos percorridos pelo filólogo, ao longo de sua vida pessoal, como se houvesse uma correspondência direta entre obra e autor, vida e obra, texto e ideias: as palavras e as coisas, como projeto de desvelamento da verdade. Depois, nos dedicaremos à discussão sobre os valores morais para indicar sua superação e transvaloração, estratégia textual
importante para alavancar a suspeita de que a superação do homem no além do homem, repercute uma crítica aos valores estabelecidos. Assim, as sessões empenhadas à crítica aos valores, são: O ataque ao cristianismo institucionalizado como crítica aos valores morais, A crítica aos valores como produção de valores e O projeto de transvaloração. Na última parte, denominada, A Impossibilidade do Ateísmo em Nietzsche, perseguiremos o argumento de que o ateísmo como inversão dos valores morais
judaico-cristãos não é uma transvaloração dos valores, mas apenas a instrumentalização dos mesmos valores para um projeto reativo da modernidade racionalista e laica, permanecendo uma crença sem Deus de um ideal para salvaguarda de um significado
profundo e estruturante, típico do niilismo incompleto: covarde, medroso e venenoso. Abriremos o tópico com o Pessimismo Russo para estabelecer as aproximações entre o debate literário russo sobre o niilismo, com Turguêniev e Dostoiévski, e o debate que Nietzsche desenvolve sobre a morte de Deus, assim como as influências gerais dos russos sobre o alemão. Dos russos, avançaremos para a apresentação dos principais conceitos nietzscheanos para o advento da hipótese de uma dimensão sagrada no autor, são eles: Genealogia, Eterno Retorno e Vontade de Poder. Dado estes encaminhamentos, apresento O Idiota de Jesus e sua beatitude, como tipo fisiopsicológico desprovido de vontade de poder, ainda uma hipótese transvalorativa, porém sem os fundamentos para uma transvaloração ascensional e afirmativa, por seu caráter decadente e resignado. Demonstro também Os limites da hipótese do Dionísio contra o Crucificado, desmontando o pensamento fácil de que o sagrado em Nietzsche seja, pura e simplesmente, a busca pela experiência dionisíaca da embriaguez. Por fim, n´A Letra Nietzscheana, investigamos mais à fundo, a possibilidade de Deus nas obras publicadas de Nietzsche, sendo-nos de vital importância a leitura de Crepúsculo dos
Ídolos como anteprojeto do livro não publicado sobre a transvaloração de todos os valores, hipótese levantada por Jorge Luiz Viesenteiner, ou seja, de que esta obra permite uma leitura de toda a produção nietzscheana sob um novo olhar, o da
transvaloração, pois sua confecção já estava engajada no projeto maior, que não se efetivou em texto propriamente dito. Assim, o além do homem (Übermensch) teria transvalorado os valores judaico-cristãos e superado todo o arcabouço metafísico,
desarticulando ou reavaliando, inclusive, valores como ressentimento, dualismo, reatividade, não sendo possível o ateísmo típico ser uma categoria crítica robusta, pois encontra-se, não na retomada do mundo após a experiência do abismo, mas a meio
caminho entre o nada do mundo socrático-cristão-moderno como falsificação inteligível e orquestrada pelo sacerdote asceta e o nada como realidade colocada como completa desconexão significante e, portanto, de profunda e quase insuportável dor, por causa do seu impacto desesperador e destrutivo proveniente do desamparo como realidade posta a nu, sem as ficções inventadas pelo homem para viver. A possibilidade de Deus como afirmação da vida em Nietzsche, advém de uma retomada significante oriunda da experiência terrível do vazio, pelo espírito da música dionisíaca como primeiro motor a fazer vibrar mentiras, como retomada do significado, na recondução do indivíduo, da resignação mórbida do fatalismo russo para a emergência de si mesmo como produtor de seus próprios valores morais, Deus, inclusive, como um valor: valor que como valor desvalorizado pós esvaziamento do mundo, desvaloriza e revaloriza, de forma mais leve e fluida, de acordo com as vicissitudes de uma vontade de poder afirmativa.

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