RIOBALDO E O NADA: NARRATIVIDADE E AS IMPLICAÇÕES ONTOLÓGICAS DO SER PARA-SI
Nome: IGOR MARTINS DIAZ HORTA
Data de publicação: 01/03/2023
Banca:
Nome![]() |
Papel |
---|---|
LUIZA HELENA HILGERT | Examinador Externo |
RENATO DOS SANTOS BELO | Examinador Externo |
THANA MARA DE SOUZA | Presidente |
Resumo: Esta pesquisa pretende desenvolver uma interlocução entre a obra da literatura brasileira Grande Sertão: Veredas (1956), de João Guimarães Rosa, e a contribuição filosófica de Jean-Paul Sartre, especificamente em seu ensaio de ontologia fenomenológica na obra O ser e o Nada (1943). Tal interlocução será norteada pela relação de complementariedade entre filosofia e literatura, através de uma vizinhança comunicante1 entre os gêneros, que integra tal aproximação no projeto filosófico de Sartre. Através da personagem-narrador Riobaldo, em sua experiência narrativa sobre seu passado jagunço no sertão, buscaremos compor nossas análises problematizando a relação entre narrar e viver em associação com
as noções sartrianas a respeito das descrições ontológicas sobre o ser da consciência como ser Para-si. A partir dessa associação, acreditamos que a narração do protagonista do romance de Rosa contém elementos que expressam a condição própria da condição existencial humana à luz do pensamento sartriano: se realiza como “totalidade destotalizada que se temporaliza em perpétuo inacabamento” (SARTRE, 2015, p. 242). Nossa hipótese é que podemos vislumbrar em Riobaldo uma maneira autêntica de narrar que se revela como um ato reflexivo. Diante da impossibilidade de amarrar seu passado,
na espécie de um destino, sua narração se abre não mais como uma consciência que atua a concatenar a verdade dos fatos passados organizando-os em uma história fechada, mas consiste em ser capturado, no ato narrativo, pela verdade da existência.