Sobre o filósofo e a filosofia em Santo Tomás de Aquino: escritos da segunda regência parisiense (1268-1272)
Nome: WILSON COIMBRA LEMKE
Data de publicação: 13/05/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ANDREY IVANOV | Examinador Externo |
| BERNARDO VEIGA DE OLIVEIRA ALVES | Examinador Externo |
| FREDERICO AUGUSTO BONALDO SILVA | Examinador Externo |
| JOEL GRACIOSO | Examinador Externo |
| JORGE AUGUSTO DA SILVA SANTOS | Presidente |
Resumo: O doutor em filosofia deve não apenas indicar as causas em cada questão, mas também ser
capaz de ensinar, segundo aquilo do comentário de Tomás à Metafísica de Aristóteles: “dizemos
mais sábio em toda a ciência àquele que pode assinalar as causas de qualquer coisa questionada
e, por meio disso, ensinar”. Por isso, o propósito desta obra é ensinar o que pertence ao filósofo
e à filosofia, de acordo com dois escritos da segunda regência de Tomás em Paris (1268-1272),
a saber: a Segunda Parte da Suma de teologia e o início do comentário à Metafísica. Pois, como
ele diz no referido comentário, se às coisas for atribuído um nome, pode haver uma noção que
explique o significado desse nome. Ora, como fica claro na mesma obra, isso acontece com o
nome “filosofia”, que se torna conhecido por meio do nome “sabedoria”, e com o nome
“filósofo”, que se explica pelo uso da expressão “amante da sabedoria”. Portanto, para que se
extraia a noção desses nomes, a fim de explicar o significado deles, é necessário dizer: o que
significam os nomes “sabedoria” e “amor”; de que modo são atribuídos à filosofia e ao filósofo,
e de que maneira se relacionam com as noções éticas de “virtude” e de “paixão”. Mas, como
devemos alcançar o conhecimento da sabedoria e das coisas divinas a partir das coisas morais, e
chegar ao conhecimento das coisas que transcendem a imaginação e requerem um intelecto
robusto a partir das coisas que requerem a experiência e uma alma livre de paixões, para que,
partindo das coisas mais fáceis, a exposição se torne mais adequada, segundo a ordem de
aprendizagem indicada por Tomás no seu comentário à Ética de Aristóteles, devemos, portanto,
proceder da significação de “amor” para a significação de “sabedoria”. Ora, o amor, que move o
filósofo em direção à sabedoria amada, é uma paixão, que Tomás trata na Suma de teologia, I-II,
q. 26-28. Mas a sabedoria, que o filósofo ama por causa de si mesma e não por causa de outra
coisa, é uma virtude, que ele trata no seu comentário à Metafísica, pr. e liv. 1, l. 1-3.
Consequentemente, são duas as partes deste trabalho. A primeira trata do amante que se diz
“filósofo”, segundo o tratado do amor da Suma. A segunda parte trata da sabedoria que se diz
“filosofia”, segundo o comentário à Metafísica. Ora, o amor é considerado na Suma pelo
método da composição; e a sabedoria é considerada no comentário à Metafísica pelo método da
resolução. Por onde, é duplo o método pelo qual devemos considerar o amante da sabedoria e a
sabedoria amada. E, a partir das noções tomasianas de amor e de sabedoria, podemos formular
uma certa definição de filosofia, de modo que se conclui que o filósofo é aquele que conhece
todas as coisas, mesmo as difíceis, por meio da certeza e da causa, buscando o próprio saber por
causa de si mesmo, ordenando e persuadindo os outros, à luz da razão natural.
